Aula
interessantíssima
Levantou-se, tomou um banho e foi trabalhar.
Naquele dia algo estranho pairava no ar.
As pessoas passavam e a olhavam com um olhar tão esquisito, cochichavam
entre si, abanando a cabeça.
Nunca vira os alunos tão interessados. Sempre tão dispersos, mas, naquele
dia, um a um vinham lhe pedir explicação. Um tumulto só! Debruçavam-se
sobre ela que, sufocada, fazia de tudo para atendê-los. Nossa quanto interesse!
Quem dera se fosse sempre assim! Entusiasmada, explicava da melhor forma
possível. Taí, faria comentário no conselho de classe! Foi um dos poucos
dias em que fizeram o trabalho e ainda pediram explicação.
Nenhuma das meninas a procurou. Olhavam-na com olhar de reprovação, o
que não entendia, porque todas demonstravam afinidade para com ela.
Esquisito, o que estaria acontecendo?
Lá pelo meio da tarde, quase no final das aulas, uma amiga entrou na sala,
deparou com ela, recuou. Falou baixinho:
– Menina, o que é isso? Você está ficando doida!
– O que foi que eu fiz? Por que me falas assim?
A amiga puxou-a pelo braço, levando-a para a secretaria, enquanto a turma
inteira cochichava.
Bateu na porta do banheiro. Ocupado!
Sisuda, a amiga lhe amarrou a cara.
– Não tem vergonha não?
– Vergonha por quê?
– Olhe-se e verá. Você ainda não percebeu?
Entrou no banheiro, olhou-se no espelho e, assustada, cobriu os seios
com as mãos.
Não acreditava! Esquecera de colocar o sutiã e, com a blusa transparente,
quem a olhasse via nitidamente seus fartos seios.
Pensava de que forma olharia seus alunos. Dera aula em quatro turmas,
achou esquisito o interesse dos meninos, mas nunca lhe passou pela cabeça
o porquê de tanta atenção sobre ela e a matéria.
Margot Carvalho
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