Há
que se refletir
Com a roupa emprestada da vizinha mais rica, minha mãe modelava toda a
roupa da família, excluindo a do meu pai, que era alfaiate.
Das chitas baratas saíam roupas que pareciam ser confeccionadas por costureiras
profissionais.
As blusas da escola eram feitas de saco de farinha de trigo, clareados
ao sol.
E agora, ela se foi! Cumpriu todas as etapas. A saudade é muito grande.
Saudade do seu café, do seu cheiro, do seu aconchego e, principalmente,
dos seus exemplos constantes.
Apenas com o olhar, mantinha a ordem na casa e ai de alguém que se atrevesse
a lhe faltar com o respeito.
Aprendi com ela o respeito ao meu próximo, a dignidade, a lealdade e o
direito de cada um. Portanto, quando vejo nos dias de hoje que os papéis
se inverteram na família, a principal entidade da sociedade, há que se
questionar.
A família é o princípio de tudo. Se não há bases sólidas, há desastres!
A modernidade, a abertura exagerada, a falta de hierarquia dentro da família
vêm trazendo efeitos desastrosos.
Prendendo-se aos caprichos dos filhos, cada vez mais ditadores, a essência
de cada um dos valores se perde. E o que se vê?
É moderno beber, cheirar, uma viagem e tanto, desrespeitar, independendo
da idade, pois tudo lhe foi sempre permitido! Agressões verbais aos professores,
até mesmo violência física é normal; sempre fez o que quis!
Há uma frase assim: “Meu filho é uma gracinha: ele já sabe dar a língua
quando não gosta das pessoas, chutar a empregada, falar palavrões. É tão
engraçadinho! Tem muita personalidade!”
Assim vai crescendo...
Nessa hora é que há o questionamento: “Onde foi que eu errei?”
Sem contar com aqueles que passam a mão nos erros dos filhos, incentivando-os
a continuarem a agir da pior forma possível! Até que tenham problemas
com a justiça, porque, sem limite algum, avançam cada vez mais em sua
autodestruição.
Então vem a cobrança: “Vocês são os culpados! Se não me deixassem fazer
o que eu bem entendesse, se me ensinassem o que era certo ou errado, se
me punissem, quando precisava, não estaria aqui!”
É preciso amar as pessoas como se não houvesse o amanhã, porque se você
parar para pensar...
Amar, muitas vezes, é dizer não. Amar, muitas vezes, é não ser tão simpática
aos olhos dos filhos. Amar, muitas vezes, é ficar com o coração partido,
diante de uma decisão.
Amar é punir, quando preciso.
Margot Carvalho
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