IML
Não era uma das melhores fases de sua vida.
Há tempos não via seu ex-amor. Seu coração doía tanto! Não adiantava,
era o homem de sua vida, mesmo sempre aprontando com ela, não conseguia
esquecê-lo.
O relacionamento? Conflitante! Juras de amor eterno, palavras que ressoaram
ao vento sem retorno.
A decisão fora dela e ele lhe pedira que pensasse muito, pois não haveria
volta, estava exausto de tanto ciúme, mas ela se manteve firme em sua
decisão.
Precisava vê-lo de qualquer jeito.
Dirigiu-se ao local onde ele trabalhava. Seu coração aos pulos, pela blusa
transparente se percebia. Quebraria seu orgulho!
Já ia se encaminhando, quando foi interrompida pela secretária sisuda.
- Então você ainda não sabe?
- Sabe de quê?
- Ele está no I M L!
As lágrimas não paravam. A secretária tentava lhe falar, mas o desespero
fez com que ela saísse correndo aos prantos.
Não podia ser verdade! No I M L? Não, não...
Imaginava a autópsia sendo feita. Não suportava tanta dor! Aquele corpo
tão querido, inerte, sem vida, nas mãos de um bisturi impiedoso.
Não beijaria mais seus lábios perfeitos, taça de vinho que lhe saciava
a sede de amar. Como fora tola! Perdera tanto tempo! Poderia desfrutar
daquele amor, mesmo cheio de problemas.
Chegou à sua casa aos soluços. A mãe queria saber o que lhe acontecera.
Engasgada pela dor com muito esforço, sua voz ecoou:
- Mãe, ele está morto!
- Ele quem? – perguntava-lhe a mãe.
- O meu amor, mãe, está no I M L!
Os gritos de dor ecoavam pela casa! Como vê-lo pálido, sem vida, dentro
de um caixão? Não teria coragem! O grande amor de sua vida jogado numa
pedra fria!
Como ninguém lhe avisara? Tinha o direito de o saber em primeira mão!
Covardes, covardes! Covardes... Seus gritos e soluços chamavam a atenção
da vizinhança que atônita, recebia a notícia da morte de Gilberto.
A notícia corria de boca em boca e se espalhava pelo bairro.
A mãe, não sabia se corria para o I M L ou se ficava com a filha.
O rapaz morava em outra cidade e os parentes talvez ainda não soubessem
da notícia.
Achava que ele a traía, pois tinha contato com várias mulheres que lhe
telefonavam e ele as atendia, mesmo contrariando-a.
O coração não cabia no peito, era sofrimento demais. Como viver sem ele?
A secretária sisuda se dirigia à casa da moça pelo fato de um amigo de
Gilberto, tê-la procurado para saber detalhes do que acontecera ao amigo
e se colocar a disposição, para os procedimentos funerais. Notícia ruim
corre rápido demais!
Tocou a campainha e a mãe da moça veio atendê-la, logo dizendo que não
era hora de visitas, pois a situação era muito grave. A secretária tentava
explicar, mas era empurrada porta a fora.
Novamente a campainha.
Quando abriu a porta caiu para trás. Gilberto em carne e osso adentrava
pela casa, dirigindo-se ao quarto da ex.
Com emoção, a moça via a aura do rapaz resplandecer!
- Você veio me ver antes de subir aos céus??????????? Ajoelhava-se aos
seus pés tentando lhe afagar, mas sabia que em seu espírito não podia
tocar. Parta em paz, meu amor, não sofra. Sua missão terminou. Tentou
levantar-se e desmaiou!
- Querida, querida, estou vivo!!!!!!!!!!!!!
Corre pra cá, corre pra lá. O médico reanimava a moça que numa nuvem via
o rosto do rapaz e perdia os sentidos novamente.
- Estou vivo! - gritava e ela o ouvia longe, bem longe... Você entendeu
tudo errado. Eu fui apenas transferido para trabalhar no I M L.
Margot Carvalho
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