O
amor
Sem palavras, tento organizar um texto para homenagear o dia dos namorados.
As mudanças vêm galopando nos últimos anos. “ O FICAR” tomou uma dimensão
desproporcional não só para a garotada, porque a força da palavra, tão
banal e chula, alcançou mudanças em muitas cabeças.
O sexo chegou ao ponto de ser determinado com pulseirinhas de várias cores
tendo, cada uma, um significado.
O cortejar, a expectativa da conquista, era tão romântico!
Tocar nem que fosse de leve, a pessoa desejada, era por demais prazeroso.
E quando o beijo acontecia se caía nas nuvens, num desejar, conquistando
o coração da pessoa amada, mesmo porque havia entrosamento de ideias e
sentimento.
Cartas de amor que hoje, seriam ridículas, acumulavam-se palavras ternas,
desejos incontidos, mas de forma tão delicada, sutil e romântica!
Os olhares de admiração e timidamente a aproximação... Uma explosão de
emoções e expectativa!
Através da admiração e do respeito que o amor amadurece, acontece e permanece.
É bastante comum, hoje em dia, um senhor, pedir a uma mulher para “FICAR”
que tem diversos sentidos, reforçando algumas liberdades com a pessoa
que se acabou de conhecer. E no dia seguinte... E ainda usam a frase:
“fazer amor”. Amor só se faz com quem se ama. Daria outro nome para o
“FICAR”. Que tal “libertinagem”?
O romantismo extinguiu-se ao longo dos anos. É careta ser romântico! O
coração encontra-se doente, mas com tratamento especial, vai funcionar
como antes.
Ser gentil, qual nada, elas querem se igualar aos homens! Pagar a conta,
abrir a porta do carro, nem pensar!
A inconsequência da modernidade vem causando conflitos.
Jovens deixam de estudar e se amparam na casa dos pais, porque tornam-se
pais muito cedo. Sem vínculos afetivos se separam indo formar outra família
e assim consequentemente sem nenhuma estrutura que se possa dizer, planejamento
familiar.
Que ajam da forma que lhes é conveniente, mas há muitos recursos, para
que desfrutem do sexo, sem desviar do caminho que lhes causam tantos problemas.
Um dia acordarão para a realidade?
Sabemos também que há uma minoria que não se deixa levar pelo moderninho.
O amor está em extinção, mas existe!
E não vendo somente o lado negativo, “o fazer amor” com a pessoa que se
ama, é a entrega total de corpo e alma num só. Ainda acredito no relacionamento
afetivo, na fidelidade de sentimentos.
Há uma necessidade em mim de ver uma mudança no comportamento das pessoas.
É terrível ver o ser humano como um simples objeto descartável, sem o
respeito por si próprio.
Aos cafonas que não se influenciam pelo moderno, desejo um dia de muito
amor, carinho, paz, cumplicidade, felicidade, tudo o que lhes for permitido.
Mandem flores, cantem na janela da amada, declamem poemas, comprem presentes,
mostrem-se apaixonados não tenham vergonha, o amor é sem vergonha, porque
não há sentimento maior que o amor cúmplice, indivisível e verdadeiro.
Que me perdoem em não fantasiar a realidade!
Margot Carvalho
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