Vô
Vô, graças a Deus eu, Filipe Eduardo, seu neto, posso retribuir, hoje,
a homenagem que muito me emocionou, quando o senhor, no dia 6 de janeiro
de 2008, junto aos Cavaleiros Unidos de Cosmos, entrou pelo portão com
fogos e tudo o mais. Não sabia o que fazer, a emoção tomou conta de mim!
O senhor não pode imaginar! Foi o presente mais bonito que já recebi até
hoje, porque sei com que carinho e amor o senhor planejou cada detalhe.
E tudo é tão vivo em minha memória! Nenhum detalhe foi esquecido!
Meu irmão e meu primo à frente e todos os meus amigos, os grandões, também.
Não somente eu me emocionei. Vi gente chorando com sua grande demonstração
de amor por mim.
No ventre de minha mãe, mesmo antes de eu nascer, já sentia o amor intenso
por parte de todos que me esperavam numa expectativa sem fim.
Sem saber se eu seria feio ou bonito, o que importava somente era o nascimento
do Filipe. Sendo tão amado, não podia, de jeito nenhum, decepcionar! Vim
ao mundo para ser amado e amar! Sentia uma imensa ternura, dedicação,
nos olhos de minha mãe, de minha avó, de meu pai, da minha Lu, dos seus,
mesmo porque sabia da importância da minha chegada.
O primeiro sorriso foi você, vô, quem o recebeu e todos duvidaram do fato,
dizendo que era ilusão, mas não era não. E por ironia do destino amamos
as mesmas mulheres.
Fui crescendo cercado de cuidados, compreensão e ensinamentos.
Foi o senhor que me comprou o primeiro cavalo e me ensinou a montar; foi
o senhor que me fez sentir a paixão tão grande por eles; foi o senhor
também quem me ensinou a dar banho neles, a escová-los até dar brilho
na crina.
O senhor me ensinou a amar os animais, a natureza! Deu-me o Pipoca, a
Arara, o Costelinha e eles viviam conosco, lá em casa, onde moramos juntos
por longo tempo.
Era uma confusão só! O espaço pequeno e a vó reclamava pra caramba!
Quando perdi o Pipoca, o senhor logo, logo comprou um igualzinho para
que eu não sofresse tanto, mas com o Tigrão não houve jeito. Seria impossível
achar pelo menos um parecido com ele.
Eu queria ser veterinário, poder cuidar dos animais, até que soube algumas
coisas da profissão e desisti.
Passávamos as tardes de domingo tratando dos cavalos e nem sentíamos o
tempo passar. Era tudo tão gratificante! Eu tenho muito a lhe agradecer!
Foi o senhor também que me ensinou a ser destemido, e eu montava qualquer
um deles, às vezes me dava um friozinho na barriga! Mas eu tinha de ser
um cabra macho, de verdade!
Cresci, é bem verdade, e agora gosto de curtir outras coisas, principalmente
as garotas. Não fique chateado com isso!
É por aí, vô. Eu amo você e sempre hei de amá-lo, mesmo às vezes preferindo
ir a outros lugares e não o acompanhando em algumas cavalgadas.
A camisa não cabe mais em mim, mas a paixão pelo vermelho e preto continua.
O Mengão é D + em meu coração e une ainda mais nossa paixão.
Não acompanhá-lo sempre não tem muita importância para nós, não é mesmo?
Nosso amor é muito mais que isso! É um amor de verdade, sem competição,
só nos queremos amar! Amor sem interesse algum.
Comemoramos, hoje, o seu aniversário e quero agradecer a Deus por o senhor
estar aqui, depois do grande susto que nos deu.
Queria que o senhor soubesse que eu o amo da mesma forma como o senhor
me ama e queria também lhe dar o mesmo presente.
Sei que vai gostar de ver todos os seus amigos de cavalgada aqui reunidos,
sei que vai sentir a mesma emoção que senti.
Não há palavras mais que se possam dizer e eu queria pedir a todos aqui
presentes que nos uníssemos na oração do Pai Nosso.
Margot Carvalho
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