Terremoto
de Emoções
O Rio de Janeiro foi palco duma tragédia desmedida, nunca imaginado, num
país aparentemente passivo ao que se diz respeito: “ataque violento a
crianças dentro de escolas “.
Há de se pensar que a mente doentia do assassino, vinha demonstrando ao
longo do tempo, esquisitices.
Filho adotivo! Mãe com doença mental sem condições de criá-lo, que tentou
suicídio...
Desde criança apresentava problemas comportamentais, imperceptíveis dentro
da sociedade em que vivia, mas dentro de casa, preocupantes.
Teve um desempenho escolar satisfatório, nunca desrespeitou seus professores
e colegas, enfim um ser humano aparentemente normal.
Somos incapazes de saber o que se passa na mente humana!
Vítima da herança mental da mãe: esquizofrenia; sua fragilidade emocional
não era demonstrada a olhos nus.
Trabalhador, cumpria com seus deveres, era elogiado em seu desempenho
pela seriedade e eficiência, falava pouco e só se alguém puxasse conversa.
Com a doença, isolou-se por completo e introspectivamente, fora do mundo
real, criou seu próprio mundo.
Sentiu-se forte em suas ideias destrutivas, fazendo-se também parte integrante
delas.
Arquitetou cada detalhe, passo a passo.
Com vozes a lhe falar constantemente, pois, a esquizofrenia, sem tratamento,
deixa o ser humano a deriva de si próprio, seguia cada procedimento. Na
internet procurou conhecimentos para que seu plano não falhasse.
No seu mundo introspectivo, suas ideias fervilhavam sem controle e obediência.
Sentia-se tão poderoso! Fazia o que lhe convinha ninguém o perturbava,
soberano, mandava e desmandava.
E no dia sete de abril de 2011, partiu tranquilamente para o terremoto
de emoções que levou todo o Brasil às lágrimas.
Entrou na escola onde estudara, normalmente sem que ninguém o impedisse,
fato que não deveria ser normal em nenhuma escola que tem como dever do
Estado dar segurança e proteção aos alunos, mas há muito, a falta de investimento
em EDUCAÇÃO, não se leva em consideração a integridade física e moral
do aluno, nem do professor.
O ex-aluno teve livre acesso as dependências da escola, fato que estranhou
a dois alunos que se viraram e observaram a vestimenta esquisita e a mochila
que ele levava.
As escolas estão sem porteiros, inspetores, mesmo porque não oferecem
perigo algum! Deixar escolas com portões abertos e crianças sem inspetores
para orientá-las para quê? São auto-suficientes, sabem se cuidar sozinhas!
E com esse desleixo total por parte dos governantes, o assassino agiu
livremente, sem impedimento algum, andou por onde quis e deu início ao
massacre.
“ Ex - aluno não tem acesso livre na escola”!
Na cintura, um cinturão carregado e todo um carregamento bem planejado
na mochila. Agiu covardemente, contra crianças descontraídas sem sequer
imaginar o que lhes aconteceria. Atirou contra crianças inocentes que
acordaram cedo, foram para a escola na esperança de concretizarem seus
sonhos e sem nada entenderem o porquê e o para quê, estavam sendo assassinadas.
- “ Vou matar vocês. Não adianta fugir”
Os escolhidos eram enfileirados e a ordem: virarem-se para a parede. Gritavam
e clamavam por suas vidas, mas o assassino cumpria sua missão com requinte
de crueldade. Enfim chegara o dia da vingança e por mais que pedissem
por suas vidas, nada adiantaria. Ninguém o deteria!
Professores pegos de surpresa, tentavam proteger seus alunos e se sentiam
incapazes, pois não o conseguiam.
Numa sala, com atendimento a alunos especiais uma delas protegeu a alguns
com seu próprio corpo.
E quanto sangue mais via, mais se entusiasmava, avançava sem piedade o
objetivo era alcançar todas as salas e matar o maior número de alunos.
E a sociedade está em choque!
O que leva alguém a cometer tamanha atrocidade?
Como abrandar a dor do coração das mães que perderam seus filhos? E o
sonho de cada jovem que foi ceifada a vida?
Meu Deus! Que terremoto emocional, avassalador devastou cada família,
cada cidadão que jamais esquecerá, por mais que viva, vai encontrar explicação
para o fato.
O país está de luto! Não houve um brasileiro que não se comoveu com tamanha
tragédia!
Com a cabecinha cheia de sonhos, nossos brasileirinhos foram executados
sem chance alguma de defesa.
Ouviam-se os gritos: - “ vou matar vocês. Não adianta fugir”
E outros gritos de desespero alastravam-se pela escola, redondezas. Alunos
tropeçaram, caíam ensanguentados, mortos, deixando um rastro de sangue
indefinido, enquanto o assassino carregava suas armas para atacar novamente.
O que podemos fazer para abrandar os corações sofridos, nem que seja um
pouquinho só, a imensa dor, principalmente a das mães que nunca esperam
enterrar seus filhos?
Por onde deveremos começar? Como vão voltar os alunos para estudar no
palco da tragédia? E suas cabecinhas, como estarão? Será que um dia terão
a coragem de ultrapassar o portão por onde tropeçaram para fugir do assassino?
A escola jamais será a mesma. Por mais que psicólogos trabalhem a cabeça
dos pequeninos, o fato vivido, nunca será esquecido.
E as mães que perderam seus filhos? Só quem passa por tamanho sofrimento
é capaz de imaginar o que seja a dor do coração de uma mãe ao perder um
filho!
Filho, é a alma da mãe que se divide desde a hora da concepção! Cada filho,
faz parte do Universo ao qual foi concebido.
Que Deus esteja convosco que lhe dê forças para superar a batalha que
vem à frente, pois somente o tempo é capaz de fazer o milagre da conformação,
nunca o esquecimento, mesmo porque eles sempre estão presentes dentro
de nossos corações.
É muito difícil, mas lembre-se: mesmo diante de tanto sofrimento agradeça
ao Senhor o presente divino, que por pouco tempo lhe foi confiado.
Coragem, coragem... é preciso continuar!
“ E entre folhas secas varridas pelo vento
Pássaros, frutos do amor, do afeto
levantam
voo...
Deixando na desesperança
O rastro amargo da saudade
sem fim...
Laços desprendidos
vidas ceifadas
E na irreal realidade,
a dor...
a perplexidade...
No esplendor da adolescência, sonhos perdidos
E o silêncio... o silêncio que não se cala
“SENHOR” , abriga teus anjos
Floresça a esperança que está adormecida
Nos corações que estão partidos
Sei que a cada clamor, por TI jamais será negado
E que só na TUA sabedoria, há explicação para o acontecido”.
Margot Carvalho
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