Hoje,
não quero ser cidadã
O telefone tocou, não atendi
Nem as contas paguei...
Não fui trabalhar
Uma falta levei
Fiz um bolo que, queimou
Raspei os restos de comida
Minha fome matou
Nem abri a janela...
O sol não entrou
Isolada do mundo
A noite chegou
As estrelas no céu
A janela ofuscou
A campainha tocou
Era um menino que passava
Não atendi, ele não importunou
Abri a janela
Na beira da calçada
O menino descansava
Franzino, com um pão na mão
Sua fome matava...
Levantou os olhos que me disseram:
- Preciso de você! Desça do trono!
Margot Carvalho
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