Eu
Sou
Eu sou o ar, o vento, o tempo...
E cada movimento
Sou a porta fechada de teus pensamentos
Sou o sorriso, a lágrima, o lamento...
Entre meus dedos, deixo escapar palavras soltas
Levadas ao vento, gotas de felicidade, o fel da crueldade, a desigualdade...
Sou a poesia livre... a rima que maltrata
O uso da palavra para não enlouquecer
Sou a lua de prata...
Na tua alegria, desdenho da tristeza,
O afeto do teu abraço, abrigo manso...
O medo do olhar puro da criança
Procurando ajuda só com o olhar
Sou a intolerância, a desconfiança, a injustiça, o desamor
A água pura, a impureza a desaguar...
Sou a perdição dos amantes, a traição, o fel da dor,
A rosa sem espinho, para não machucar
Sou a mão que agradece, faz o mal, afaga...
A onda que mata, como chuva de prata
Entre as areias a rufar
Nada de igualdade, fraternidade
Sou a porta que se fecha, o egocentrismo, a traição, a desunião...
Sou o ar puro, o furacão em destruição...
A água que mata, a água da vida
A libertada reprimida
E sei que muitos com esta verdade, não vão concordar:
- Um peso, duas medidas
Para avaliar
Atualmente na bolsa de “Valores”
Estou em “Alta”
Medida certa, sempre a avaliar
Margot Carvalho
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