Desleal
Hoje, eu queria expulsar a infelicidade
Desprezá-la, afugentá-la
Deixá-la sem guarida, não permitir que maltrate
As minhas feridas
Queria abrir o meu peito
Dando-lhe direito aos soluços sem dor
E no meio de uma nova vida
Ser infiel e, sem humildade
Entre lençóis
A entrega desleal
De quem sofreu por amor
E na minha alma perdida
Cicatrizar, sem remorso...
Cada lágrima sentida
Hoje também, queria a liberdade da alma
Serena, calma...
Ouvindo gemidos, clamando por todos os sentidos
Desvirginando lençóis, desatando os nós
Perdidos no tempo que a tudo destrói
Queria meu corpo, sem as marcas do sofrimento
Virgem, para o toque sereno do amor,
Sublime, perfeito, incapaz de causar dor
Aos meus ouvidos, sem o silêncio fingido
captar, palavras que, só a alma
É capaz de sentir
E no teu regaço, adormecer...
Esquecer do passado, na minha alma de poeta
Vagando em devaneios, todos os sonhos, poderão me pertencer
Construir um ninho de felicidade,
Apagar o abismo cruel, tortuoso...
No acalento dos teus braços, prisioneira para sempre
A carícia dos teus beijos constantes
Eu quero me sentir: VIVA
Margot Carvalho
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